Trotes equivalem a 13,3% das ligações recebidas diariamente pelo Ciosp


Órgão responsável por atender e enviar as forças de segurança para socorrer a população, o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) há meses luta contra um problema que afeta tanto a operacionalização do envio das forças policiais como a população que realmente necessita de socorro: os trotes. Apenas no mês de abril deste ano, quase 8 mil trotes foram feitos ao Centro, sendo 7.702 pelos mesmos números, alguns dos quais chegam a ligar mais de mil vezes por mês para os policiais.

A equipe de reportagem da Tribuna do Norte esteve na sede do Ciosp na manhã desta quinta-feira (10). Em um intervalo de menos de 5 minutos, três ligações de trotes foram registradas. As três tinham o mesmo perfil: crianças que ligavam, relatavam um suposto acidente e, quando os agentes de segurança perguntavam a localização e mais informações sobre a ocorrência, começavam a xingar os policiais de diversas formas, para depois desligar o telefone. As três ligações foram rápidas, duraram cerca de um minuto e meio. No entanto, os policiais relataram que algumas chamadas chegam a durar até meia hora, com pessoas relatando ocorrências que nunca aconteceram e fazendo, muitas vezes, com que a equipe operacional desloque uma viatura da Polícia Militar para o local, onde não encontram nada.

“A perda de tempo é gigante. Toda a polícia já luta para tentar garantir a cobertura das situações com todas as dificuldades que tem. Quando uma viatura é deslocada até o local de uma ocorrência e não tem nada lá, isso significa que em outro ponto da cidade alguém pode deixar de receber socorro graças a essas ações irresponsáveis”, relata o comandante operacional do Centro, major Michel Alvarenga, no cargo há seis meses.

Além de prejudicar a operacionalização dos serviços policiais, os trotes aumentam o tempo de espera para aqueles que ligam e querem utilizar o serviço. O número de atendentes do Ciosp é de, em média, oito policiais. Muitas vezes, ao ligar para o sistema, as pessoas se deparam com todas as linhas ocupadas, e têm que aguardar o atendimento. “Em casos de emergência, nos quais as pessoas estão em risco, essa espera pode ser extremamente danosa para o cidadão. Infelizmente, muitas vezes as linhas estão ocupadas em função dos trotes”, relata o major Alvarenga.

Tribuna do Norte

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