Bebida de maconha promete se tornar a nova cerveja no Canadá

Esqueça aquela velha história de dar duas tragadas e passar o baseado. Os produtores de maconha estão apostando que cada vez mais pessoas vão preferir a maconha na forma de bebida.

A Green Organic Dutchman Holdings planeja criar um centro de teste e fabricação de produtos para explorar o uso de cannabis em vários tipos de bebidas, como chá gelado, sucos e até bebidas esportivas, afirmou a empresa em um comunicado na quarta-feira. Esta é apenas a mais recente das medidas tomadas por produtores de maconha para entrar no setor de bebidas.

O Canadá ainda não aprovou a lei que legalizará algumas formas do uso recreativo de maconha neste ano – inclusive a erva seca para fumar -, mas as empresas já estão disputando uma posição no mercado de bebidas, que poderá render lucros. Embora produtos comestíveis, como balas, bebidas, sorvete e itens assados, continuarão sendo ilegais por pelo menos mais um ano, houve uma “explosão do interesse” neles, e seis de cada dez consumidores provavelmente optarão por consumir produtos comestíveis, segundo um relatório publicado pela Deloitte em 5 de junho.

“Muitos consumidores estão acostumados a consumir entorpecentes na forma de bebidas porque elas são socialmente mais aceitáveis que os cigarros ou vaporizadores”, disse Jason Zandberg, analista da PI Financial em Vancouver, por e-mail. “Acho que as bebidas com cannabis serão uma categoria forte no Canadá quando os produtos comestíveis estiverem legalizados.”

Ameaça

As fabricantes de cerveja e de outras bebidas alcoólicas já perceberam e estão atentas à possível ameaça, disse Charles Taerk, CEO da Faircourt Asset Management em Toronto, em um webinar sobre cannabis em 5 de junho. O mercado combinado dos usos medicinal e recreativo da maconha poderia totalizar 10 bilhões de dólares canadenses (US$ 7,7 bilhões) nos próximos cinco a sete anos, e alguns estudos sugerem que as vendas de bebidas com cannabis superarão as vendas dos refrigerantes tradicionais em lojas de conveniência até 2030, disse ele.

A Green Organic fez sua jogada em meio à especulação de que a produtora com sede em Ontário seja um possível alvo de aquisição. Seu centro de pesquisa abre um caminho para que “fabricantes de bebidas de grande escala” invistam no mercado de maconha diretamente ou por meio de uma joint venture, afirmou a companhia.

A Delta 9 Cannabis, uma produtora com sede em Winnipeg, Manitoba, planeja apresentar na semana que vem sua “Legal Lager”, uma cerveja feita de centeio com sementes de cânhamo que foi criada através de uma parceria com a fabricante de cerveja artesanal Fort Garry Brewing Co. Embora a cerveja não contenha nenhum dos ingredientes psicoativos da maconha, o cânhamo lhe dá um “toque único de frutos secos”, e o plano é criar uma cerveja sem álcool que contenha cannabis quando a regulamentação permitir, disse o CEO da Delta, John Arbuthnot.

“Estamos muito otimistas com o segmento de bebidas”, disse Arbuthnot, em entrevista por telefone. “Nós sentamos e tentamos imaginar onde a cannabis se encaixaria em nossas vidas e como poderíamos garantir sua presença em um jantar familiar, e não parecia ser em um baseado ou em um vaporizador, nem sequer em um brownie.”

Comidas e Bebidas – UOL

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