Fátima Bezerra desiste do Senado e fica no governo do RN até o fim do mandato

Diego Velázquez Por Diego Velázquez
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Decisão da governadora reorganiza o tabuleiro político potiguar às vésperas das eleições de outubro.

Uma dúvida que rondava a política potiguar desde o início do ano finalmente foi respondida: a governadora Fátima Bezerra (PT) confirmou que permanecerá no cargo até dezembro de 2026 e não disputará uma vaga no Senado Federal. A decisão encerra meses de indefinição sobre o futuro político do estado e altera diretamente os planos de aliados e adversários que já se movimentavam para a corrida eleitoral.

Até fevereiro deste ano, Fátima era pré-candidata ao Senado, projeto que contava com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT nacional. Para viabilizar a candidatura, porém, ela precisaria renunciar ao governo até abril, o que exigiria que o vice-governador Walter Alves (MDB) assumisse o Executivo estadual pelo restante do mandato.

O impasse que levou à permanência da governadora

O problema surgiu quando Walter Alves comunicou que não assumiria o governo caso Fátima saísse para disputar o Senado. O vice-governador declarou pretensão própria de concorrer a uma vaga de deputado estadual, o que também exigiria sua renúncia ao cargo, criando um cenário de possível vacância simultânea nos dois principais postos do Executivo potiguar.

Diante do impasse, a Assembleia Legislativa chegou a discutir a possibilidade de uma eleição indireta para escolher um novo governador, já que o presidente da Casa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), havia descartado assumir o cargo por também pretender concorrer à reeleição no Legislativo. A situação só foi resolvida quando Fátima optou por manter o compromisso com o mandato em curso, priorizando, segundo ela, a conclusão de obras estruturantes como o Hospital Metropolitano e a duplicação da BR-304.

O que muda para a disputa ao governo e ao Senado

Com a governadora fora da corrida ao Senado, o secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), segue como pré-candidato ao governo do estado pela situação. Do outro lado, o principal nome da oposição continua sendo Allyson Bezerra (União Brasil), prefeito de Mossoró e dono de forte presença digital, que tem apoio declarado do vice-governador Walter Alves para a disputa majoritária.

Já na corrida pelas duas vagas do Senado, as pesquisas indicavam a manutenção de Styvenson Valentim (PSDB) em uma das cadeiras, enquanto a segunda vaga ficaria em aberto entre nomes como Zenaide Maia (PSD), que se aproximou do campo de Allyson Bezerra, e outros pré-candidatos ligados a diferentes legendas. Com a saída de Fátima do páreo senatorial, esse espaço tende a ficar ainda mais disputado nos próximos meses, à medida que os partidos definem suas chapas para outubro.

A permanência da governadora também reduz o risco de instabilidade institucional no estado às vésperas do período eleitoral, já que afasta, ao menos por ora, a hipótese de eleição indireta na Assembleia Legislativa. Ainda assim, a relação entre PT e MDB, parceiros na chapa de 2022, segue sendo observada de perto, já que Walter Alves manteve sua aproximação com o campo de oposição ao anunciar apoio a Allyson Bezerra.

Para o eleitor potiguar, a decisão de Fátima Bezerra representa, na prática, um ano eleitoral mais previsível no Executivo estadual, ainda que a disputa pelo governo e pelas vagas ao Senado continue em aberto. Os próximos meses devem concentrar as atenções na formação das alianças partidárias e na definição de quem, de fato, estará nas urnas de outubro.

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