RN aposta em hidrogênio verde e vira referência tecnológica em energia limpa

Diego Velázquez Por Diego Velázquez
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Estado combina marco legal pioneiro, porto dedicado e centro de formação profissional para consolidar nova cadeia industrial.

Quem acompanha o avanço da energia eólica no Rio Grande do Norte talvez ainda não saiba que o estado está construindo, ao mesmo tempo, uma nova fronteira tecnológica: a produção de hidrogênio verde em escala industrial. A pergunta que fica para quem observa esse movimento é simples: o que torna essa tecnologia diferente da energia eólica tradicional e por que o RN está apostando tanto nela?

O hidrogênio verde é produzido por meio da eletrólise da água, processo que separa as moléculas de hidrogênio e oxigênio usando eletricidade de fontes renováveis, como a eólica e a solar. Ao contrário dos combustíveis fósseis, ele não emite dióxido de carbono durante a produção, o que o torna peça central nas estratégias globais de transição energética. O Rio Grande do Norte reúne justamente as condições naturais consideradas ideais para esse processo: ventos constantes e forte incidência solar ao longo do ano.

O Porto Indústria Verde e a estrutura tecnológica em construção

Um dos projetos mais avançados nessa frente é o Porto Indústria Verde, previsto para o município de Caiçara do Norte. A iniciativa integra o Novo PAC e contará com investimento de R$ 11,6 milhões da União para a execução, ao longo de dois anos, de estudos técnicos que servirão de base para a implantação do empreendimento. O projeto será o primeiro do país concebido desde o início com infraestrutura dedicada à produção, armazenamento e exportação de hidrogênio verde e amônia. Agência Gov

O planejamento técnico envolve o Ministério de Portos e Aeroportos e o Governo do Rio Grande do Norte, com estudos previstos para avaliar soluções de eólica offshore, logística integrada e impactos socioeconômicos da futura instalação. A ideia é que o terminal funcione de forma multiuso, permitindo tanto a geração de energia offshore quanto a exportação direta do combustível produzido, reduzindo a dependência de infraestrutura externa para escoamento da produção.

Marco regulatório, pesquisa e formação de mão de obra especializada

Para viabilizar esse tipo de investimento, o Rio Grande do Norte se tornou o primeiro estado brasileiro a sancionar um marco legal específico para o setor. A Lei nº 12.336/2025 criou o Programa Norte-Rio-Grandense de Hidrogênio Verde e da Indústria Verde, além de um regime especial de incentivos fiscais para empresas que utilizem, no mínimo, 90% de eletricidade renovável em seus processos produtivos.

Na prática, esse marco legal já atrai projetos concretos. O Projeto Morro Pintado, conduzido pela empresa Brazil Green Energy em parceria com grupos industriais alemães, prevê a instalação da primeira usina comercial de hidrogênio e amônia verdes do estado, em Areia Branca, com investimento de R$ 12 bilhões e capacidade inicial de 80 mil toneladas de hidrogênio verde por ano. A licença ambiental prévia foi apresentada durante a Hannover Messe, maior feira de tecnologia industrial do mundo. Movimento Econômico

Além da infraestrutura física, o estado investe em formação de mão de obra qualificada. O Senai-RN criou o primeiro Centro de Excelência em Formação Profissional para Hidrogênio Verde do Brasil, modelo que já vem sendo replicado em outros estados. A Petrobras, por sua vez, desenvolve uma planta-piloto na Usina Termelétrica do Vale do Açu, em parceria com a WEG e o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis, com capacidade de eletrólise de dois megawatts.

O conjunto dessas iniciativas coloca o Rio Grande do Norte em posição de destaque dentro da corrida tecnológica pela descarbonização da indústria. Ainda há etapas regulatórias e de infraestrutura portuária a serem concluídas, especialmente no que diz respeito ao licenciamento de estruturas submarinas de exportação, que dependem de órgãos federais como o Ibama. Mesmo assim, o estado já reúne legislação, capital privado e formação técnica suficientes para se consolidar como um dos principais polos de inovação em energia limpa do país nos próximos anos.

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