Celular por satélite pode chegar ao Brasil: o que a nova tecnologia significa para quem vive no interior do Rio Grande do Norte

Diego Velázquez Por Diego Velázquez
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Nova geração de comunicação via satélite promete ampliar o acesso à internet e chamadas em áreas sem cobertura, beneficiando regiões rurais, turísticas e comunidades mais afastadas do RN.

Ficar sem sinal de celular durante uma viagem, em uma estrada, na zona rural ou até mesmo em uma praia mais isolada ainda faz parte da realidade de milhares de potiguares. No entanto, uma tecnologia que vem avançando rapidamente no mundo pode mudar esse cenário nos próximos anos: a comunicação direta entre celulares e satélites, conhecida como Direct-to-Device (D2D). O tema voltou ao centro das discussões após novos movimentos do setor de telecomunicações e da expansão da internet via satélite no Brasil, além do avanço das regulamentações para esse tipo de serviço. fonte

Para quem mora no Rio Grande do Norte, especialmente em municípios do interior, áreas rurais, regiões de serra, litoral ou locais onde o sinal das operadoras ainda apresenta falhas, essa inovação desperta uma pergunta importante: será possível utilizar o celular mesmo onde hoje não existe cobertura? Embora a tecnologia ainda esteja em fase de implantação e regulamentação, especialistas apontam que ela pode representar uma das maiores transformações das telecomunicações desde a chegada do 4G e do 5G, reduzindo a exclusão digital e ampliando a conectividade em todo o território nacional.

Como funciona o celular por satélite e por que essa tecnologia chama tanta atenção

Diferentemente dos sistemas tradicionais de telefonia móvel, que dependem de antenas instaladas em solo, a tecnologia Direct-to-Device permite que determinados smartphones compatíveis se comuniquem diretamente com satélites de baixa órbita quando não houver cobertura terrestre. Na prática, o aparelho identifica que não existe sinal convencional e estabelece uma conexão utilizando uma constelação de satélites, garantindo o envio de mensagens e, futuramente, chamadas de voz e transmissão de dados.

Nos últimos anos, empresas globais de tecnologia e operadoras passaram a investir bilhões de dólares nesse modelo de comunicação. No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou testes utilizando um ambiente regulatório experimental, conhecido como sandbox regulatório, permitindo que operadoras e empresas avaliem o funcionamento do sistema em condições reais. A expectativa é que essa fase contribua para definir regras permanentes antes da expansão comercial do serviço. (Licempre)

Outro fator que acelerou esse mercado foi o crescimento das constelações de satélites em órbita baixa, capazes de reduzir o tempo de resposta da conexão em comparação aos satélites tradicionais. Além disso, organismos internacionais discutem normas específicas para padronizar essa tecnologia, permitindo que fabricantes de celulares, operadoras e empresas de satélite trabalhem de forma integrada. Esse avanço tende a facilitar a adoção da comunicação via satélite em aparelhos comuns, sem necessidade de equipamentos externos em muitos casos. (ITU)

Embora inicialmente o foco esteja em mensagens de emergência e comunicação básica, a evolução tecnológica deve ampliar gradualmente as funcionalidades disponíveis. Conforme a infraestrutura amadurece, especialistas projetam que chamadas telefônicas e acesso limitado à internet também poderão ser incorporados, principalmente em áreas onde a instalação de antenas convencionais não é economicamente viável.

O que pode mudar para moradores de Natal, Mossoró e do interior do Rio Grande do Norte

No Rio Grande do Norte, a principal vantagem da comunicação via satélite seria ampliar a conectividade em regiões onde ainda existem dificuldades de cobertura móvel. Municípios do Seridó, Alto Oeste, Mato Grande, além de comunidades rurais, áreas de preservação ambiental e trechos rodoviários afastados, frequentemente enfrentam oscilações ou ausência completa de sinal das operadoras.

O turismo também pode ser beneficiado. Destinos como Pipa, São Miguel do Gostoso, Galinhos, Genipabu e diversas praias do litoral potiguar recebem visitantes que realizam trilhas, passeios de buggy e atividades em locais onde a cobertura celular nem sempre é contínua. Com o avanço da tecnologia via satélite, situações de emergência poderiam ser comunicadas com maior facilidade, aumentando a segurança tanto para turistas quanto para trabalhadores do setor.

Outro segmento que tende a ganhar é o agronegócio. Produtores rurais poderão manter comunicação em fazendas mais afastadas, facilitando operações, monitoramento de equipamentos e contato com equipes de campo. Em estados com forte presença de energia renovável, como o Rio Grande do Norte, empresas responsáveis por parques eólicos e solares também poderão utilizar esse tipo de conectividade para ampliar o monitoramento remoto de equipamentos instalados em áreas isoladas.

Vale destacar que a chegada dessa tecnologia não significa o fim das redes móveis tradicionais. As antenas 4G e 5G continuarão sendo fundamentais para oferecer internet de alta velocidade nas cidades. O papel dos satélites será complementar a cobertura existente, permitindo que o usuário permaneça conectado quando estiver fora do alcance das redes terrestres.

Quando essa tecnologia poderá estar disponível e quem deve se beneficiar primeiro

Ainda não existe uma data única para que celulares via satélite estejam disponíveis de forma ampla em todo o Brasil. A implantação depende da conclusão dos testes regulatórios, da autorização definitiva dos serviços pela Anatel, da expansão das constelações de satélites e da compatibilidade dos aparelhos comercializados no mercado brasileiro. Além disso, fabricantes e operadoras precisam firmar acordos para disponibilizar a funcionalidade aos consumidores.

O governo federal também vem ampliando iniciativas voltadas à expansão da conectividade em regiões remotas. Recentemente, o Ministério das Comunicações reforçou a estratégia de aumentar a oferta de internet via satélite no país por meio de novos operadores, buscando ampliar a concorrência e atender áreas ainda sem cobertura adequada. Essa política pode acelerar a chegada de soluções que utilizem satélites para complementar a infraestrutura tradicional de telecomunicações. fonte

Nos primeiros anos, é provável que os principais beneficiados sejam moradores de áreas rurais, profissionais que trabalham em regiões isoladas, equipes de resgate, produtores rurais, motoristas de longas distâncias, turistas e pessoas que frequentemente percorrem locais sem sinal. À medida que os custos diminuam e novos smartphones passem a oferecer compatibilidade de fábrica, a tendência é que a tecnologia se torne mais acessível para o público em geral.

Para o Rio Grande do Norte, essa evolução representa mais do que uma novidade tecnológica. Em um estado marcado pela diversidade geográfica, forte atividade turística, produção de energia renovável e extensas áreas rurais, ampliar a conectividade significa facilitar o acesso a serviços públicos, fortalecer atividades econômicas, aumentar a segurança e reduzir desigualdades digitais. Embora a comunicação direta por satélite ainda esteja em fase de desenvolvimento, o caminho aponta para um futuro em que ficar completamente sem sinal poderá se tornar uma situação cada vez mais rara para os potiguares.

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