Como formalizar uma parceria comercial antes de operar?

Gilmar Stelo
Antonio Valdori Por Antonio Valdori
5 Min de leitura

No cenário atual, para Gilmar Stelo, referência em atuação estratégica no Direito, poucas empresas formalizam uma parceria comercial antes de já estar operando junto do parceiro escolhido, e essa lacuna costuma passar despercebida justamente porque tudo começa bem, sem qualquer sinal de que algo possa dar errado mais adiante.

Diante do exposto, formalizar a parceria antes de começar a operar juntos deixa de ser burocracia e passa a ser proteção concreta para os dois lados, especialmente quando a relação envolve divisão de receita, uso de marca ou compartilhamento de clientes entre as empresas parceiras.

Sendo assim, alguns passos simples ajudam a estruturar essa formalização sem travar o início da parceria nem transformar a negociação em um processo jurídico longo e desgastante para as partes envolvidas, mesmo quando o ritmo do negócio pede agilidade.

Defina por escrito o que cada parte entrega

O primeiro passo é colocar no papel exatamente o que cada empresa se compromete a entregar dentro da parceria, seja produto, serviço, estrutura ou capital, evitando expectativas diferentes que só aparecem quando algo não sai como um dos lados imaginava.

Esse mapeamento evita o problema mais comum em parcerias informais: cada parte parte de uma expectativa diferente sobre o que a outra deveria fazer, e essa diferença só vem à tona quando o resultado não corresponde ao que foi combinado verbalmente entre as partes.

Gilmar Stelo frisa que descrever entregas em vez de intenções genéricas é o que realmente protege a parceria: dizer que uma empresa cuidará do comercial não define nada, enquanto especificar metas e prazos concretos evita divergência de interpretação mais adiante.

Estabeleça regras claras de divisão de resultados

O segundo passo é definir, por escrito, como a receita ou o resultado gerado pela parceria será dividido entre as empresas, incluindo o que acontece em cenários específicos, como inadimplência de um cliente comum ou cancelamento de um contrato compartilhado.

Gilmar Stelo
Gilmar Stelo

Parcerias que deixam essa divisão apenas combinada verbalmente costumam funcionar enquanto o volume de negócio é pequeno, mas geram disputa justamente quando o resultado cresce e passa a valer a pena discutir com mais rigor quem tem direito a que parte dele.

Segundo a Stelo Advogados, formalizar critérios objetivos de divisão, com fórmulas claras em vez de percentuais vagos, reduz bastante a margem de interpretação em um momento de discordância, além de facilitar a prestação de contas entre as empresas parceiras ao longo do tempo.

Preveja como a parceria pode ser encerrada

O terceiro passo, muitas vezes ignorado, é definir com antecedência como a parceria pode ser encerrada, incluindo prazo de aviso prévio, o que acontece com clientes em andamento e como fica o uso de marca ou material desenvolvido em conjunto depois do fim.

Sem essa previsão, o encerramento de uma parceria comercial vira um processo confuso, em que cada parte tenta reter o que considera seu enquanto o relacionamento se deteriora, muitas vezes prejudicando clientes que dependiam da continuidade do serviço prestado pelas duas empresas.

Na avaliação de Gilmar Stelo, prever o fim da parceria logo no início não é sinal de pessimismo, mas de maturidade: empresas que fazem esse exercício tendem a negociar com mais clareza também durante a vigência da parceria, não apenas no encerramento dela.

Formalize tudo antes de começar a operar juntos

O último passo é simples, mas decisivo: reunir tudo o que foi definido em um contrato assinado antes do início efetivo da operação conjunta, evitando o hábito comum de começar a trabalhar juntos e deixar a formalização para depois, quando já não é tão simples.

Esse cuidado inicial custa pouco tempo comparado ao desgaste de resolver divergências sem qualquer documento que defina o que foi combinado entre as partes, especialmente quando a parceria já gerou receita, clientes ou compromissos que precisam ser desfeitos com cuidado, destaca Gilmar Stelo .

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