Marcello José Abbud, empresário e especialista em soluções ambientais, explica que a compostagem em larga escala representa hoje uma das alternativas mais promissoras para o tratamento de resíduos sólidos urbanos no Brasil. Ampliar a capacidade de compostagem nos municípios é um caminho direto para reduzir o passivo ambiental gerado pelos lixões e aterros saturados.
Este artigo explora as principais tecnologias disponíveis, os modelos de implementação municipal e os benefícios concretos dessa prática para a economia circular e a sustentabilidade. Se a sua gestão municipal ou empresa busca soluções eficientes para a valorização de resíduos orgânicos, continue a leitura.
O que é compostagem em larga escala e por que ela importa?
A fração orgânica representa entre 50% e 60% dos resíduos sólidos urbanos coletados nas cidades brasileiras. Quando descartada de forma inadequada, essa matéria gera metano nos aterros sanitários, contribui para o agravamento do passivo ambiental e desperdiça nutrientes que poderiam retornar ao solo. A compostagem em larga escala transforma esse problema em recurso, convertendo resíduos orgânicos em composto de alta qualidade para uso agrícola e paisagístico.
Segundo Marcello José Abbud, a valorização dos resíduos orgânicos é um dos princípios centrais da economia circular aplicada à gestão de resíduos municipais. Ignorar esse potencial significa não apenas perder um recurso valioso, mas também ampliar os custos operacionais das usinas de tratamento de resíduos e sobrecarregar os sistemas de disposição final já existentes.
Como os municípios estão implementando a compostagem em larga escala?
A implementação da compostagem municipal exige planejamento integrado que vai da coleta seletiva até a destinação final do composto produzido. Municípios bem-sucedidos nessa jornada geralmente combinam educação ambiental com infraestrutura adequada e modelos de concessão ou parceria público-privada. De acordo com Marcello José Abbud, o engajamento da população é tão determinante quanto a tecnologia escolhida, pois a qualidade do resíduo orgânico entregue impacta diretamente o resultado final do processo.
Experiências consolidadas em países europeus e em algumas cidades brasileiras demonstram que a escala importa. Quanto maior o volume processado, menor o custo por tonelada e maior a viabilidade econômica da operação. Isso reforça a necessidade de consórcios intermunicipais como modelo de gestão de resíduos, permitindo que municípios de menor porte acessem tecnologias avançadas que seriam inviáveis individualmente. A cooperação regional é, nesse contexto, um instrumento de inovação ambiental coletiva.

Benefícios tangíveis para a gestão de resíduos e o meio ambiente
A compostagem em larga escala oferece múltiplos retornos para a sociedade. Além da redução expressiva do volume de resíduos sólidos urbanos enviados para aterros, o processo gera composto orgânico com valor comercial, reduz as emissões de gases de efeito estufa e contribui para a recuperação de solos degradados. Esses benefícios se alinham diretamente às metas de ESG adotadas por municípios e empresas comprometidas com a sustentabilidade e com a prestação de contas socioambientais.
Como elucida Marcello José Abbud, especialista em soluções ambientais e diretor da Ecodust Ambiental, a compostagem bem gerida é uma ferramenta concreta de inovação ambiental e de geração de valor a partir do que antes era tratado apenas como problema. O setor público que incorpora esse modelo coloca o município em posição de liderança na transição para uma economia circular de baixo carbono, atendendo simultaneamente às demandas regulatórias, ambientais e sociais que marcam o cenário contemporâneo da gestão de resíduos.
Compostagem como estratégia central na gestão de resíduos municipais
Como resume Marcello José Abbud, a compostagem em larga escala deixou de ser uma alternativa marginal e passou a ocupar papel estratégico na gestão de resíduos sólidos urbanos. A diversidade de tecnologias disponíveis, os benefícios econômicos e ambientais comprovados e a crescente pressão regulatória por destinação adequada de resíduos tornam essa solução cada vez mais relevante para municípios de todos os portes.
Investir em compostagem é investir em cidades mais resilientes, sustentáveis e preparadas para os desafios ambientais do futuro. A valorização dos resíduos orgânicos não é apenas uma escolha técnica, mas uma decisão política e estratégica que reflete o nível de maturidade ambiental de uma gestão pública.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
