Projeção da Codern aponta embarque de aproximadamente 250 mil toneladas de frutas pelo Porto de Natal, com crescimento em relação à temporada anterior e forte presença do melão potiguar no mercado europeu.
A safra de melão 2026/2027 do Rio Grande do Norte começa com uma projeção económica expressiva. A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) estima que aproximadamente 250 mil toneladas de frutas sejam embarcadas pelo Porto de Natal para o mercado internacional durante o ciclo, movimentando cerca de R$ 1,42 bilhão em negócios. A estimativa representa crescimento de aproximadamente 4,4% na movimentação financeira em comparação com a temporada anterior, quando foram movimentados R$ 1,36 bilhão e cerca de 240 mil toneladas. (Tribuna do Norte)
A temporada já começou a movimentar a estrutura portuária potiguar. A primeira embarcação deste ciclo, o Baltic Performer, atracou no Porto de Natal em 10 de agosto e partiu na sexta-feira, dia 14, levando aproximadamente 5 mil toneladas de frutas. A carga seguiu em direção aos portos de Dover, no Reino Unido, e Roterdã, nos Países Baixos, dois importantes pontos de entrada para a distribuição das frutas brasileiras no continente europeu. (Tribuna do Norte)
O início da safra reforça o papel estratégico que a fruticultura desempenha na economia do Rio Grande do Norte, especialmente nas regiões produtoras de melão e melancia. Além da receita obtida diretamente com as exportações, a cadeia envolve produtores rurais, trabalhadores, transportadoras, empresas de embalagem, operadores logísticos e atividades portuárias. A expectativa positiva para 2026/2027 ocorre depois de 2025 ter registado crescimento de 16,2% nas exportações da fruta em relação a 2024, segundo dados apresentados pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec-RN). (Tribuna do Norte)
Porto de Natal deve embarcar cerca de 250 mil toneladas
A projeção da Codern indica um aumento tanto no volume transportado como no valor financeiro da nova temporada. Na safra anterior, aproximadamente 240 mil toneladas passaram pelo terminal, enquanto para 2026/2027 a previsão é chegar às 250 mil toneladas. Se a estimativa for confirmada, serão cerca de 10 mil toneladas adicionais movimentadas pelo porto, num período em que o setor procura aproveitar condições favoráveis no mercado internacional e manter a competitividade do produto potiguar. (Tribuna do Norte)
O Porto de Natal ocupa uma posição particularmente importante nesta cadeia porque permite que as frutas produzidas no estado sejam transportadas diretamente para mercados consumidores europeus. Segundo a Codern, estima-se que cerca de 70% do melão e da melancia consumidos no mercado europeu, incluindo a Grã-Bretanha, provenientes das cargas brasileiras embarcadas para esse mercado passem pelo terminal potiguar, evidenciando a importância logística da infraestrutura para o setor exportador do estado. (Tribuna do Norte)
Essa operação exige uma cadeia logística organizada, porque frutas frescas possuem uma janela relativamente limitada entre colheita, transporte e chegada ao consumidor. Temperatura, armazenamento, tempo de deslocamento e regularidade das rotas marítimas influenciam diretamente a qualidade final do produto. Por isso, a eficiência portuária é considerada um dos fatores fundamentais para que os produtores potiguares consigam competir em mercados distantes e manter contratos com grandes compradores internacionais.
Europa concentra os principais compradores
A Europa continua a ser o principal destino do melão produzido no Rio Grande do Norte. Dados da Sedec-RN indicam que Espanha, Países Baixos e Reino Unido foram responsáveis por aproximadamente 94% do valor das exportações potiguares da fruta no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as vendas externas de melão do estado movimentaram cerca de US$ 51,4 milhões, período que inclui o encerramento da temporada 2025/2026 e a entressafra, quando naturalmente ocorre uma redução nos embarques. (Tribuna do Norte)
A concentração europeia está relacionada com uma combinação de fatores comerciais e produtivos. Durante determinados períodos do ano, a produção brasileira consegue ocupar espaços deixados pela redução da oferta de países concorrentes, garantindo presença nas redes de supermercados e distribuidores europeus. O clima do Nordeste brasileiro também possibilita uma produção que complementa os calendários agrícolas de outras regiões produtoras, favorecendo a presença do melão potiguar no mercado internacional.
Para a safra atual, existe ainda uma circunstância que poderá favorecer os produtores brasileiros. Segundo avaliação de Carlo Porro, fundador e CEO da Agrícola Famosa, o calor extremo registado na Europa prejudicou a qualidade da produção espanhola de melão, enquanto a temporada daquele país se aproxima do fim. Com menor concorrência em termos de produção e qualidade, existe expectativa de preços favoráveis para a fruta brasileira durante o início da nova temporada. (Tribuna do Norte)
Maior exportadora do estado espera temporada positiva
A Agrícola Famosa, apontada como a maior exportadora de frutas do Rio Grande do Norte, iniciou a temporada com expectativa positiva. Carlo Porro afirmou que a safra começou em condições melhores do que a anterior e que a empresa registou boa produtividade. A companhia mantém aproximadamente 13 mil hectares plantados com melões e melancias e afirma possuir mais de 65% da participação das frutas brasileiras que chegam ao mercado europeu. (Tribuna do Norte)
Para 2026/2027, a estratégia da empresa passa por consolidar essa participação na Europa, ampliar a presença no Canadá e manter ou aumentar as vendas para os Estados Unidos. O mercado norte-americano, entretanto, apresenta desafios comerciais relacionados com as tarifas aplicadas às exportações brasileiras, criando uma variável adicional para as empresas que pretendem diversificar os destinos das frutas produzidas no Nordeste. (Tribuna do Norte)
O mercado brasileiro também está dentro da estratégia. A empresa pretende ampliar a oferta de produtos de maior qualidade para consumidores nacionais, procurando aumentar o faturamento doméstico e diminuir parcialmente a dependência das exportações. A combinação entre mercado interno e externo pode funcionar como uma forma de distribuir riscos, especialmente num setor exposto a oscilações cambiais, alterações tarifárias e mudanças na procura internacional.
Setor vê oportunidade com menor oferta internacional
A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Faern) também avalia que a safra começa com perspectivas positivas. Segundo a entidade, o cenário é sustentado pelo desempenho comercial da temporada anterior e pela expectativa de procura firme no exterior. Análises do Hortifruti/Cepea citadas pela federação indicam que uma redução da oferta de países concorrentes da América Central poderá abrir espaço adicional para o melão brasileiro, sobretudo na Europa. (Tribuna do Norte)
Esse cenário pode beneficiar diretamente o Rio Grande do Norte, que possui uma cadeia de produção orientada há décadas para a exportação. Quando concorrentes internacionais apresentam problemas climáticos ou reduções temporárias na produção, importadores precisam procurar fornecedores alternativos capazes de garantir volume, qualidade e regularidade. A capacidade instalada no estado permite que empresas potiguares disputem parte desse espaço.
Apesar das oportunidades, o setor continua dependente de fatores que não estão sob controlo direto dos produtores. Cotação do dólar e do euro, custos dos fertilizantes, fretes internacionais, condições climáticas nos países consumidores e políticas comerciais podem alterar rapidamente as margens das empresas. Por isso, uma temporada que começa com boas perspectivas ainda pode enfrentar mudanças importantes durante os meses seguintes.
Segurança hídrica e logística continuam entre os desafios
Mesmo diante da expectativa de crescimento, a Faern identifica três grandes desafios para a expansão da fruticultura potiguar: segurança hídrica, logística de escoamento e custos de produção. O cultivo comercial de melão depende fortemente de sistemas eficientes de irrigação, tornando a disponibilidade de água uma questão estratégica para a manutenção e eventual expansão das áreas produtivas. (Tribuna do Norte)
A logística também permanece no centro das preocupações. Como a produção é voltada em grande medida para mercados estrangeiros, qualquer dificuldade entre as propriedades, os centros de embalagem e o Porto de Natal pode aumentar custos ou comprometer prazos. Investimentos em infraestrutura de armazenagem, câmaras frias, irrigação e modernização são inclusive contemplados por linhas do Plano Safra 2026/2027, que procura melhorar a eficiência logística e produtiva da agricultura brasileira. (Serviços e Informações do Brasil)
O terceiro desafio está relacionado com os custos. Fertilizantes, energia, mão de obra, embalagens, transporte e outros insumos representam uma parcela importante das despesas dos produtores. Em mercados internacionais altamente competitivos, aumentos significativos nesses componentes nem sempre podem ser integralmente transferidos para o preço final, comprimindo as margens mesmo quando o volume exportado cresce.
Parte do setor adota postura mais cautelosa
Apesar das projeções otimistas da Codern e da avaliação positiva de parte dos produtores, existe também uma visão mais conservadora. O Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (Coex-RN) afirma iniciar a temporada com “extrema cautela”. Segundo o presidente da entidade, Fábio Queiroga, o objetivo prioritário para algumas empresas é manter a atividade e preservar margens, em vez de promover uma expansão significativa da produção. (Tribuna do Norte)
Entre as preocupações mencionadas estão a instabilidade cambial, os custos dos insumos e as dificuldades comerciais enfrentadas em determinados mercados. O setor acompanha ainda possíveis mudanças no consumo europeu. Essas variáveis fazem com que os números de uma temporada anterior não possam ser simplesmente projetados para a seguinte, mesmo quando o volume de embarques previsto pela estrutura portuária apresenta crescimento.
A divergência de expectativas mostra a complexidade da cadeia. Enquanto a infraestrutura logística se prepara para receber um volume maior e alguns grandes produtores observam condições favoráveis, outras empresas mantêm uma estratégia defensiva diante das incertezas económicas. O desempenho final dependerá tanto da produtividade no campo como dos preços alcançados nos mercados internacionais ao longo dos próximos meses.
Melão reforça peso da fruticultura na economia potiguar
Se a projeção da Codern se confirmar, a safra 2026/2027 deverá movimentar R$ 1,42 bilhão e aproximadamente 250 mil toneladas de frutas pelo Porto de Natal, superando os números da temporada anterior. O resultado reforçaria a posição do Rio Grande do Norte como um dos grandes polos brasileiros de produção e exportação de melão, mantendo a Europa como principal destino das cargas. (Tribuna do Norte)
O impacto económico não fica restrito às grandes empresas exportadoras. A cadeia movimenta propriedades agrícolas, fornecedores de insumos, empresas de transporte, embalagens, serviços portuários e milhares de postos de trabalho ligados direta ou indiretamente à produção. Cada embarque representa o resultado de uma operação que começa meses antes no campo e termina nos supermercados e distribuidores dos países compradores.
A temporada começa, portanto, entre expectativas de crescimento e cautela empresarial. Menor concorrência internacional e boa produtividade favorecem o melão potiguar, enquanto custos, câmbio, logística e segurança hídrica permanecem como obstáculos importantes. Os embarques dos próximos meses indicarão se a projeção de R$ 1,42 bilhão será alcançada e se o Rio Grande do Norte conseguirá ampliar ainda mais a presença das suas frutas no mercado internacional.
Fonte principal: Tribuna do Norte — Safra do melão deve movimentar R$ 1,42 bi no RN, estima Codern.
