Produção estimada de cereais, leguminosas e oleaginosas passou de 20,5 mil para 54,5 mil toneladas; milho e feijão puxam recuperação do setor potiguar.
O Rio Grande do Norte registrou forte avanço na estimativa da produção de grãos em 2026. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam crescimento de 165,8% na produção estimada de cereais, leguminosas e oleaginosas em relação ao levantamento referente ao mesmo período do ano anterior.
Em números absolutos, a estimativa passou de aproximadamente 20,5 mil toneladas em 2025 para 54,5 mil toneladas em 2026. O desempenho potiguar ficou acima das variações observadas para o Nordeste e para o conjunto do Brasil no levantamento divulgado em setembro.
O crescimento não ocorreu de maneira uniforme entre todas as culturas agrícolas do Estado. A recuperação está concentrada especialmente no milho e no feijão da primeira safra, que registraram aumentos expressivos tanto na produção quanto no rendimento médio.
Ao mesmo tempo, outras atividades agrícolas potiguares apresentam retração. Culturas como mandioca, laranja e feijão da segunda safra tiveram reduções, mostrando que o avanço dos grãos não significa uma expansão generalizada de toda a agricultura do Rio Grande do Norte.
Milho e feijão impulsionam crescimento
O milho aparece como um dos principais responsáveis pelo avanço. A estimativa de produção passou de 13,1 mil toneladas para 35,9 mil toneladas, crescimento de aproximadamente 173,4% na comparação anual.
Também houve melhora no rendimento médio da cultura. O indicador passou de cerca de 484 quilos por hectare para 719 quilos por hectare, uma evolução de 48,6%.
O feijão da primeira safra apresentou crescimento ainda maior em termos percentuais de produção. O volume estimado avançou de aproximadamente 5,5 mil toneladas para 16,6 mil toneladas, alta de 202,4%.
O rendimento médio do feijão também aumentou, passando de 325 para 468 quilos por hectare. A variação corresponde a aproximadamente 44%.
Área colhida também cresce
Outro dado importante está relacionado à área efetivamente colhida. Para o conjunto formado por cereais, leguminosas e oleaginosas, a estimativa passou de aproximadamente 44,9 mil hectares para 86,7 mil hectares.
Isso representa crescimento de 93,1%. A expansão da área colhida ajuda a explicar por que a produção avançou de maneira tão expressiva mesmo sem uma expansão equivalente da área plantada.
A área plantada desse grupo permaneceu praticamente estável, com pequena retração de aproximadamente 0,4%. Segundo os dados apresentados no levantamento, passou de cerca de 109,5 mil para 109,1 mil hectares.
A combinação entre maior área chegando efetivamente à colheita e aumento do rendimento de culturas importantes, especialmente milho e feijão, teve peso relevante no resultado final.
O que explica o crescimento?
A Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern) avalia que os números representam uma recuperação importante da produção potiguar de grãos.
Segundo a entidade, o desempenho é compatível com condições mais favoráveis durante a janela regional de cultivo das lavouras de sequeiro, especialmente nos períodos de implantação e desenvolvimento das culturas.
A própria Faern, entretanto, ressalta que os dados do LSPA não permitem atribuir o resultado exclusivamente às condições climáticas ou ao uso de novas tecnologias.
O que o levantamento permite observar diretamente é que, em 2026, uma parcela significativamente maior da área plantada chegou à etapa de colheita e apresentou rendimentos superiores aos registrados no ano anterior.
Nem toda a agricultura potiguar avançou
Apesar do forte crescimento dos grãos, os números gerais da agricultura potiguar apresentam um cenário mais heterogéneo.
Considerando o conjunto das culturas analisadas, a área plantada foi estimada em aproximadamente 252,9 mil hectares, redução de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. A área colhida também apresentou retração de cerca de 3%.
A Faern aponta que a redução da área plantada total está relacionada principalmente ao comportamento de outras culturas, entre elas cana-de-açúcar, castanha-de-caju e mandioca.
Entre as maiores variações negativas de produção aparecem a laranja, com queda estimada de 73,9%, a mandioca, com redução de 46,5%, e o feijão da segunda safra, com recuo de 37,8%.
Isso significa que os dados precisam ser analisados por cadeia produtiva. O avanço expressivo de milho e feijão da primeira safra convive com dificuldades em outros segmentos importantes da agricultura estadual.
Por que o resultado importa para o Rio Grande do Norte?
O aumento da produção de milho e feijão tem impacto direto sobre cadeias importantes do setor agropecuário. O milho, por exemplo, também é utilizado como insumo para alimentação animal, conectando a produção agrícola a atividades como avicultura e pecuária.
Já o feijão possui forte presença na alimentação e na agricultura familiar. Mudanças na produção podem influenciar disponibilidade regional, comercialização e renda dos produtores envolvidos nessas culturas.
O aumento da produtividade também merece atenção porque parte da expansão ocorreu sem crescimento significativo da área plantada destinada ao grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas.
Por outro lado, o desempenho de uma safra não permite, isoladamente, estabelecer uma tendência permanente. Condições climáticas, distribuição das chuvas, custos de produção, preços agrícolas e decisões dos produtores podem modificar o cenário nos ciclos seguintes.
Cenário exige acompanhamento das próximas safras
O levantamento divulgado em setembro mostra uma recuperação significativa dos grãos potiguares em 2026, mas também evidencia diferenças importantes entre as cadeias agrícolas do Estado.
Milho e feijão da primeira safra avançaram fortemente, enquanto culturas tradicionais enfrentaram redução de área, rendimento ou produção. Por isso, especialistas ouvidos sobre os dados recomendam evitar que o crescimento agregado dos grãos seja interpretado como expansão de toda a agricultura estadual.
Os números do LSPA são estimativas para o conjunto da safra anual e podem ser atualizados conforme novas informações de campo são incorporadas pelo IBGE.
Até o levantamento mais recente, entretanto, o cenário é de uma recuperação expressiva: a produção estimada de cereais, leguminosas e oleaginosas no Rio Grande do Norte saltou de 20,5 mil para 54,5 mil toneladas, com milho e feijão desempenhando papel central nesse avanço.
Fontes: Tribuna do Norte — produção de grãos do RN cresce 165,8% · IBGE — arquivos oficiais do LSPA 2026.
