Instituição do Rio Grande do Norte participa de programa nacional que capacita organizações sociais no uso da inteligência artificial e criou solução experimental voltada ao reconhecimento de sinais de alerta do câncer infantojuvenil
A Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, sediada em Natal, desenvolveu um protótipo baseado em inteligência artificial para auxiliar na identificação de sinais precoces do câncer infantil. A iniciativa coloca uma instituição do Rio Grande do Norte entre organizações brasileiras que estão experimentando novas formas de utilizar IA para ampliar o impacto de projetos sociais e melhorar processos relacionados à saúde, assistência e atendimento à população. (Folha de S.Paulo)
A ferramenta surgiu durante a participação da Casa Durval Paiva no programa IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor, iniciativa voltada à capacitação de organizações sociais para incorporar recursos de IA em suas atividades. Ao todo, participantes do programa apresentaram 89 soluções baseadas em inteligência artificial, desenvolvidas a partir de desafios reais enfrentados pelas próprias entidades. (Folha de S.Paulo)
No caso da instituição potiguar, a escolha pelo diagnóstico precoce está diretamente relacionada a uma área na qual a Casa Durval Paiva já trabalha há anos. A entidade mantém um setor dedicado à conscientização e capacitação de profissionais para reconhecer sinais e sintomas que podem estar associados ao câncer infantojuvenil e orientar a procura por atendimento médico. (Casa Durval Paiva)
Inteligência artificial entra na estratégia de diagnóstico precoce
O protótipo desenvolvido pela Casa Durval Paiva tem como foco auxiliar na identificação de sinais precoces de câncer infantil. É importante destacar que se trata de uma ferramenta experimental e não de um sistema apresentado como substituto do diagnóstico realizado por profissionais de saúde. A informação disponível sobre o projeto o caracteriza como um protótipo desenvolvido durante o programa de capacitação e ainda inserido em uma etapa de testes. (Folha de S.Paulo)
A aplicação da inteligência artificial nesse contexto pode ser especialmente relevante para organizar informações e apoiar estratégias de orientação. No câncer infantojuvenil, determinados sinais podem inicialmente ser confundidos com manifestações de problemas de saúde mais comuns, o que torna a conscientização de familiares, educadores e profissionais da atenção básica uma parte importante da estratégia de diagnóstico precoce.
Essa preocupação já faz parte da atuação da instituição. Segundo a Casa Durval Paiva, seu Setor de Diagnóstico Precoce busca capacitar profissionais da saúde e sensibilizar profissionais da educação e a sociedade para reconhecer sinais de alerta e incentivar a busca por avaliação médica diante de situações suspeitas. (Casa Durval Paiva)
Projeto nasceu dentro de programa nacional de IA
O IA.3 foi estruturado para aproximar organizações do terceiro setor das possibilidades oferecidas pela inteligência artificial. O programa é liderado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), conta com apoio do Google.org e execução técnica do Canal SabIAr. A Casa Durval Paiva aparece oficialmente entre as organizações selecionadas para participar da iniciativa. (IDIS)
O trabalho não ficou restrito a aulas teóricas sobre inteligência artificial. As organizações participantes passaram por etapas de diagnóstico de problemas, criação de ideias, prototipagem e validação das soluções, contando com acompanhamento especializado durante o desenvolvimento. A proposta foi estimular cada entidade a encontrar aplicações concretas da tecnologia para desafios existentes em suas atividades. (Folha de S.Paulo)
As aplicações desenvolvidas não ficaram concentradas apenas na saúde. O programa abordou possibilidades de utilização da IA em áreas como captação de recursos, gestão do conhecimento, relacionamento com diferentes públicos, automação de processos internos e acompanhamento de resultados. (Folha de S.Paulo)
Testes das soluções seguem até dezembro
A apresentação dos protótipos não representa o encerramento do projeto. De acordo com as informações divulgadas sobre o programa, a fase de testes das soluções continua até dezembro de 2026. Os resultados obtidos deverão ajudar a avaliar a utilidade prática das ferramentas e servir de referência para futuras edições da iniciativa. (Folha de S.Paulo)
Isso significa que a solução desenvolvida pela Casa Durval Paiva ainda precisa ser entendida dentro de um processo experimental. Até o momento, as informações públicas consultadas não apresentam dados de precisão clínica, número de casos avaliados ou evidências de validação médica que permitam tratar a ferramenta como tecnologia diagnóstica estabelecida.
A distinção é especialmente importante quando inteligência artificial e saúde aparecem juntas. Sistemas que auxiliam decisões médicas precisam passar por avaliações adequadas de desempenho, segurança e confiabilidade antes que possam assumir funções clínicas. No projeto potiguar, o destaque neste momento está no desenvolvimento e teste de uma aplicação de IA ligada à missão social da instituição.
Diagnóstico precoce já é uma das principais frentes da instituição
A utilização da tecnologia também se conecta a uma estrutura que já existia antes do programa. A Casa Durval Paiva informa que trabalha com ações relacionadas ao diagnóstico precoce desde 2002 e que, em 2020, criou um setor específico para fortalecer essa atuação. (Casa Durval Paiva)
A entidade promove capacitações para profissionais da Estratégia de Saúde da Família, agentes comunitários de saúde e outros trabalhadores que podem ter contato com crianças e adolescentes. Também realiza iniciativas destinadas a educadores e à população, buscando ampliar o conhecimento sobre sinais que merecem investigação médica. (Casa Durval Paiva)
A dimensão dessa atuação pode ser observada nos indicadores divulgados pela própria instituição. A Casa informa que realiza cerca de 27 mil atendimentos anuais por meio de sua equipe multidisciplinar e capacita aproximadamente 1.500 profissionais de saúde e estudantes por ano. Desde sua fundação, mais de 2,1 mil crianças e adolescentes foram acolhidos pela organização. (Casa Durval Paiva)
Tecnologia pode ampliar alcance de organizações sociais
A experiência da Casa Durval Paiva também mostra como a inteligência artificial começa a alcançar organizações que tradicionalmente não fazem parte do setor tecnológico. Ferramentas que até poucos anos estavam concentradas em universidades e grandes empresas estão sendo experimentadas por instituições sociais para organizar dados, automatizar processos e desenvolver novos serviços.
Para entidades que trabalham com recursos e equipes limitados, essa transformação pode abrir oportunidades importantes. Ao automatizar determinadas atividades administrativas, por exemplo, profissionais podem dedicar mais tempo ao atendimento direto das pessoas. Em outras situações, sistemas inteligentes podem ajudar a organizar grandes volumes de informações ou tornar materiais educativos mais acessíveis.
Ao mesmo tempo, aplicações envolvendo informações de saúde exigem atenção redobrada a questões como privacidade, qualidade dos dados, segurança, vieses dos sistemas e supervisão humana. O uso responsável dessas ferramentas será determinante para definir quais projetos experimentais conseguirão avançar para aplicações mais amplas.
RN ganha espaço na discussão sobre IA aplicada à saúde e ao terceiro setor
A participação da Casa Durval Paiva no IA.3 coloca o Rio Grande do Norte dentro de uma discussão que combina inteligência artificial, saúde e inovação social. Diferentemente de projetos desenvolvidos exclusivamente por empresas de tecnologia, a iniciativa parte de uma organização que já possui contato direto com crianças, adolescentes e famílias afetadas pelo câncer.
Em junho de 2026, a instituição registrava 414 crianças e adolescentes ativos, além de 257 usuários em tratamento oncológico e 148 em tratamento hematológico. A Casa também informou ter alcançado pacientes provenientes de numerosos municípios do Rio Grande do Norte e de outros estados. (Casa Durval Paiva)
A próxima etapa será acompanhar os testes e verificar como o protótipo poderá evoluir. Por enquanto, a iniciativa representa principalmente uma experiência de aplicação prática da inteligência artificial em uma organização social potiguar, aproximando uma tecnologia em rápida expansão de um desafio concreto: ampliar a conscientização e contribuir para que possíveis sinais do câncer infantojuvenil sejam percebidos o mais cedo possível.
Fontes: Folha de S.Paulo — Organizações testam ferramentas de IA para ampliar impacto social | Casa Durval Paiva — Projetos e ações | IDIS — Programa IA.3
