Yuri Silva Portela aborda recursos que ajudam idosos a manter autonomia e segurança 

Yuri Silva Portela
Antonio Valdori Por Antonio Valdori
5 Min de leitura

Serviços como chamadas de vídeo, lembretes automáticos de medicamentos e dispositivos de emergência deixaram de ser recursos associados apenas às gerações mais jovens. Na terceira idade, tais ferramentas podem facilitar tarefas cotidianas, aproximar familiares e oferecer suporte para que a pessoa mantenha maior independência. No entendimento do Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a tecnologia pode ser incorporada ao envelhecimento de maneira gradual, desde que esteja alinhada às necessidades e limitações de cada indivíduo.

O avanço dos recursos digitais também modificou a maneira como idosos se comunicam com pessoas que vivem longe. Vídeo chamadas, mensagens de voz e comandos simplificados permitem que os usuários mantenham vínculos sociais sem a necessidade de conhecimentos avançados em informática. Além de facilitar o contato, tais ferramentas têm o potencial de contribuir para uma rotina mais conectada e participativa.

É imprescindível, entretanto, que a escolha seja feita considerando a familiaridade do idoso com os dispositivos e a facilidade de uso. Conhecer as alternativas disponíveis e compreender em quais situações elas realmente podem auxiliar é um passo importante para transformar a tecnologia em suporte cotidiano, e não em uma nova dificuldade.

Ferramentas que organizam rotina e medicação

A organização de medicamentos é uma das situações em que os recursos digitais podem oferecer suporte prático. Aplicativos dessa natureza permitem o cadastro de diferentes medicamentos, horários e doses, além da programação de alertas sonoros ou visuais. Para os que fazem uso contínuo de tratamentos, tal tipo de lembrança auxilia na organização da rotina e reduz a dependência de anotações que podem ser esquecidas ou tornar-se obsoletas. O Dr. Yuri Silva Portela destaca que, nesse contexto, a tecnologia atua como um recurso complementar para facilitar o cumprimento das orientações já estabelecidas pelos profissionais de saúde.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Ademais, os calendários digitais também podem reunir consultas, exames, compromissos e outras atividades importantes. Quando configurados de maneira simples, funcionam como uma referência para a rotina e podem auxiliar na compensação de esquecimentos ocasionais. É importante ressaltar que a ferramenta em questão não deve ser confundida com a avaliação de alterações persistentes de memória, que exigem uma investigação adequada.

Dispositivos voltados à segurança e independência

Quando o objetivo deixa de ser apenas organizar tarefas e passa a envolver segurança, outros dispositivos ganham espaço. Pulseiras, relógios e colares com botão de emergência podem permitir o acionamento de familiares ou serviços previamente configurados em situações de mal-estar, queda ou necessidade de ajuda.

Alguns equipamentos também contam com sensores capazes de identificar determinados movimentos associados a quedas e enviar alertas automaticamente. Esse mecanismo pode ser especialmente útil quando o idoso está sozinho e não consegue alcançar o telefone. A escolha do dispositivo deve levar em conta fatores como facilidade de acionamento, conforto e familiaridade com a tecnologia.

Outro benefício está na possibilidade de preservar maior liberdade de circulação. Em vez de depender da presença constante de outra pessoa para realizar atividades simples, o idoso pode contar com uma camada adicional de proteção. Para o Doutor Yuri Silva Portela, esse equilíbrio é relevante porque segurança e autonomia não precisam ser tratadas como objetivos opostos.

Tecnologia como aliada, não substituta do cuidado humano

Apesar das possibilidades, nenhum aplicativo ou dispositivo substitui o acompanhamento profissional, a convivência familiar ou a atenção às mudanças na rotina. A tecnologia funciona melhor quando complementa uma rede de cuidados já existente, preenchendo necessidades específicas sem transferir para aparelhos responsabilidades que dependem de relações humanas.

A adaptação também precisa respeitar o ritmo de cada pessoa. Ensinar uma função por vez, configurar os recursos previamente e deixar os comandos mais utilizados facilmente acessíveis pode tornar a experiência menos frustrante. Quando o idoso entende a finalidade da ferramenta e participa da escolha, a tendência é que sua utilização faça mais sentido no cotidiano.

Assim, incorporar tecnologia à terceira idade não significa transformar o envelhecimento em uma rotina controlada por dispositivos, mas utilizar recursos disponíveis para ampliar possibilidades. Tal como evidencia o Doutor Yuri Silva Portela, o ponto central está em preservar a autonomia sem perder de vista a individualidade e a necessidade de cuidado. Quando bem escolhida, a tecnologia pode facilitar a comunicação, organizar compromissos e aumentar a segurança, mantendo a pessoa no centro das decisões sobre sua própria rotina.

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